segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Sexo #2



Por tantos anos, Julia sonhara com um príncipe encantado que a amaria com a suavidade e delicadeza de um cavalheiro, que seria gentil e teria palavras românticas em sua cama, a tocaria como se fosse vidro, frágil e certamente, quebrável. No entanto, aqueles sonhos nada tinham a ver com o homem enorme que lhe cobria o corpo pequeno e magro.
As mãos dele não eram suaves, queriam apenas apertá-la e senti-la, arrancavam as roupas como se elas o irritassem. Talvez, de fato, elas o fizessem. A calça jeans que modelava os quadris femininos foi puxada negligentemente para baixo e a camiseta preta, arrancada por cima da cabeça, enquanto a boca furiosa esmagava a sua com um beijo violento. Pensou ter ouvido um som entre um gemido e um rosnado, e percebeu, tarde de mais, que saíra de sua boca enquanto suas mãos o despiram da jaqueta e da camisa do Rammstein. Era uma luta desenfreada deles contra as roupas, que eram arrancadas e jogadas o mais longe possível da cama e, somente quando a calça dele foi finalmente atirada para qualquer canto do cômodo, a luta terminou. Porém, a competição não estava terminada. Acabara de começar.
Os dedos masculinos agarraram, possessivamente, o seio farto, e deleitou-se com o gemido de dor que viera dela em seguida. Apertou-o por cima do sutiã preto, antes de arrancá-lo com um puxão e receber em troca outro gemido. As mãos dela, por sua vez, percorriam as costas largas, tocando cada musculo enrijecido, como se pretendesse memorizá-los, e então atacando-os com suas unhas. Ele grunhiu quando sentiu a ardência dos arranhões e puniu-a por isso, agarrando também o outro seio e apertando os mamilos rígidos em seus dedos. Não queria, mas gostou do modo como ela gritou seu nome, e do modo como Julia ofegava por ar enquanto o rosto pálido, de traços orientais, enchia-se daquele rubor envergonhado. No momento em que tinha posto os olhos nela, sabia que seria sua.
Traçou uma trilha perigosa da boca, descendo ao queixo, tocando o pescoço com a língua quente e chegando até os seios brancos com os mamilos rígidos. Pôs a boca num deles, sugando-o como se necessitasse daquilo, e apreciando os gemidos que ela não conseguia segurar mesmo que mordesse os lábios. Enquanto o fazia, os dedos desceram pela cintura fina e pelos quadris ondulados, sempre apertando-os, sentindo o corpo estremecer sob suas mãos, até encontra-la, tão úmida, tão macia. A calcinha foi também arrancada, e ele começou a acaricia-la, os gemidos dela não cessavam mais, eram como música para seus ouvidos enquanto a levava, impiedosamente, a um orgasmo. E mesmo quando ela gritava, e implorava e suplicava que parasse, não o fez.
Parecia a beira de um colapso nervoso, estava prestes a chegar ao segundo orgasmo quando ele afastou os dedos dela e voltou a esmagar a boca furiosamente na sua. Seus dedos começaram a procura-lo abaixo da cintura, envolvendo-o em seus dedos pequenos. Movia a mão bem devagar, de cima para baixo, e depois o contrário, primeiro devagar mas não demorou a encontrar um ritmo que o fez soltar um urro baixo de tesão e fez com que ela gemesse satisfeita. Arqueou suas costas do colchão de modo a ficar inclinada e seus lábios roçassem no pescoço dele, beijando-o inocentemente até que ele soltasse um rosnado impaciente.
As pernas femininas foram afastadas sem cerimônias e o quadril de Heitor se instalou entre elas, no instante em que Julia arqueou as costas do colchão para envolvê-lo num abraço esmagador. E daquele modo, seios contra peitoral, boca contra boca, pele contra pele, ele a teve como queria, não houve espaço para gentilezas ou palavras sutis. Apenas sons animalescos, rosnados, o rugido baixo que saíra dos lábios dela. Os corpos lançavam um contra o outro com uma força sobre-humana, apertavam-se, beijavam-se, mordiam um ao outro como animais selvagens. A verdadeira natureza dos dois. Selvageria.
Ele a empurrou contra a cama, prendendo-a contra o colchão antes de começar a se mover sobre ela, cada vez mais forte, mais rápido, guiando-se naquela escuridão pelos gritos dela. Era incansável, insaciável e sedento do corpo dela, quanto mais a tinha, mais a queria, sempre exigindo mais do que poderia exigir. Não foi breve como previra que fosse, apesar de moverem-se rapidamente, sem tempo para saborear o sexo em si, não queriam parar. Mesmo quando o cansaço tomava conta, os corpos os traíam, tornando o ritmo cada vez mais intenso.
Quando os primeiros raios daquela terça-feira quente se infiltraram pela janela e começaram a iluminar aquele minúsculo cômodo, desabaram ambos exaustos no colchão. Ela deitara-se sobre o corpo másculo esperando que o seu próprio parasse de tremer, estava em êxtase puro. E tinha de admitir que senti-lo tremer da mesma forma embaixo de si era ainda mais prazeroso. Ele afastava os cabelos castanhos do rosto e respirava ofegando por ar, enquanto apertava-a num abraço forte e beijava-lhe os cabelos curtos repetidas vezes. E ela percebeu que nunca tinha sido tão feliz quanto naquela noite. Adormeceu, ouvindo as batidas ritmadas do coração dele.

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