Por tantos
anos, Julia sonhara com um príncipe encantado que a amaria com a suavidade e
delicadeza de um cavalheiro, que seria gentil e teria palavras românticas em sua cama, a tocaria como se fosse vidro, frágil e certamente, quebrável. No
entanto, aqueles sonhos nada tinham a ver com o homem enorme que lhe cobria o
corpo pequeno e magro.
As mãos
dele não eram suaves, queriam apenas apertá-la e senti-la, arrancavam as roupas
como se elas o irritassem. Talvez, de fato, elas o fizessem. A calça jeans que
modelava os quadris femininos foi puxada negligentemente para baixo e a
camiseta preta, arrancada por cima da cabeça, enquanto a boca furiosa esmagava
a sua com um beijo violento. Pensou ter ouvido um som entre um gemido e um
rosnado, e percebeu, tarde de mais, que saíra de sua boca enquanto suas mãos o
despiram da jaqueta e da camisa do Rammstein. Era uma luta desenfreada deles
contra as roupas, que eram arrancadas e jogadas o mais longe possível da cama
e, somente quando a calça dele foi finalmente atirada para qualquer canto do
cômodo, a luta terminou. Porém, a competição não estava terminada. Acabara de
começar.
Os dedos
masculinos agarraram, possessivamente, o seio farto, e deleitou-se com o gemido
de dor que viera dela em seguida. Apertou-o por cima do sutiã preto, antes de
arrancá-lo com um puxão e receber em troca outro gemido. As mãos dela, por sua
vez, percorriam as costas largas, tocando cada musculo enrijecido, como se
pretendesse memorizá-los, e então atacando-os com suas unhas. Ele grunhiu
quando sentiu a ardência dos arranhões e puniu-a por isso, agarrando também o
outro seio e apertando os mamilos rígidos em seus dedos. Não queria, mas gostou
do modo como ela gritou seu nome, e do modo como Julia ofegava por ar enquanto
o rosto pálido, de traços orientais, enchia-se daquele rubor envergonhado. No
momento em que tinha posto os olhos nela, sabia que seria sua.
Traçou uma
trilha perigosa da boca, descendo ao queixo, tocando o pescoço com a língua
quente e chegando até os seios brancos com os mamilos rígidos. Pôs a boca num
deles, sugando-o como se necessitasse daquilo, e apreciando os gemidos que ela
não conseguia segurar mesmo que mordesse os lábios. Enquanto o fazia, os dedos
desceram pela cintura fina e pelos quadris ondulados, sempre apertando-os,
sentindo o corpo estremecer sob suas mãos, até encontra-la, tão úmida, tão
macia. A calcinha foi também arrancada, e ele começou a acaricia-la, os gemidos
dela não cessavam mais, eram como música para seus ouvidos enquanto a levava,
impiedosamente, a um orgasmo. E mesmo quando ela gritava, e implorava e
suplicava que parasse, não o fez.
Parecia a
beira de um colapso nervoso, estava prestes a chegar ao segundo orgasmo quando
ele afastou os dedos dela e voltou a esmagar a boca furiosamente na sua. Seus
dedos começaram a procura-lo abaixo da cintura, envolvendo-o em seus dedos
pequenos. Movia a mão bem devagar, de cima para baixo, e depois o contrário,
primeiro devagar mas não demorou a encontrar um ritmo que o fez soltar um urro
baixo de tesão e fez com que ela gemesse satisfeita. Arqueou suas costas do
colchão de modo a ficar inclinada e seus lábios roçassem no pescoço dele,
beijando-o inocentemente até que ele soltasse um rosnado impaciente.
As pernas
femininas foram afastadas sem cerimônias e o quadril de Heitor se instalou
entre elas, no instante em que Julia arqueou as costas do colchão para
envolvê-lo num abraço esmagador. E daquele modo, seios contra peitoral, boca
contra boca, pele contra pele, ele a teve como queria, não houve espaço para
gentilezas ou palavras sutis. Apenas sons animalescos, rosnados, o rugido baixo
que saíra dos lábios dela. Os corpos lançavam um contra o outro com uma força
sobre-humana, apertavam-se, beijavam-se, mordiam um ao outro como animais
selvagens. A verdadeira natureza dos dois. Selvageria.
Ele a
empurrou contra a cama, prendendo-a contra o colchão antes de começar a se
mover sobre ela, cada vez mais forte, mais rápido, guiando-se naquela escuridão
pelos gritos dela. Era incansável, insaciável e sedento do corpo dela, quanto
mais a tinha, mais a queria, sempre exigindo mais do que poderia exigir. Não
foi breve como previra que fosse, apesar de moverem-se rapidamente, sem tempo
para saborear o sexo em si, não queriam parar. Mesmo quando o cansaço tomava
conta, os corpos os traíam, tornando o ritmo cada vez mais intenso.
Quando os
primeiros raios daquela terça-feira quente se infiltraram pela janela e
começaram a iluminar aquele minúsculo cômodo, desabaram ambos exaustos no colchão.
Ela deitara-se sobre o corpo másculo esperando que o seu próprio parasse de
tremer, estava em êxtase puro. E tinha de admitir que senti-lo tremer da mesma
forma embaixo de si era ainda mais prazeroso. Ele afastava os cabelos castanhos
do rosto e respirava ofegando por ar, enquanto apertava-a num abraço forte e
beijava-lhe os cabelos curtos repetidas vezes. E ela percebeu que nunca tinha
sido tão feliz quanto naquela noite. Adormeceu, ouvindo as batidas ritmadas do coração dele.


